A PRESSA É INIMIGA DA COMPREENSÃO

 

Em uma casa de umbanda passam por semana centenas de pessoas. Seres humanos das mais distintas classes, formações e crenças pessoais. Cada um com a sua verdade e o seu entendimento particular sobre a vida e o mundo que o cerca.

Nesse roll de indivíduos é natural que cada um procure a umbanda com o seu propósito, independente de pensar sobre a umbanda como uma religião ou um pronto socorro espiritual.

Inúmeros terreiros empenham-se em explicar à assistência o que é a umbanda enquanto religião. Sua origem, seus rituais, a prática da incorporação, o que são os orixás e tudo mais o que envolve as doutrinas umbandistas.

Dentro desse trabalho de doutrina se faz necessário também trazer o entendimento sobre a umbanda para aqueles que a vêem apenas como o pronto socorro.

Sim, porque a casa de umbanda não abriga apenas umbandistas, mas pessoas de qualquer religião e crença em busca de conforto e alívio. E para essas pessoas a umbanda funciona também como um benevolente pronto socorro.

E é principalmente a esses que se destina essa mensagem.

Todos vocês sabem que a umbanda não cobra nada de seus seguidores, mas eu ouso em afirmar e lhes digo que ela cobra sim. Ela cobra um dos bens mais preciosos que o ser humano pode ter. Talvez o mais precioso. A fé.

A fé meus irmãos, é a única moeda de troca que a umbanda cobra de cada um de vocês.

Mas o que tem a ver a fé com a afirmação feita no início dessa mensagem: de que a pressa é inimiga da compreensão?

Muitos irmãos que aqui vêem em busca de auxílio, recorrem ao mundo espiritual como último recurso para solução de algum problema. São pessoas que já esgotaram consultas com médicos, que perderam quase tudo o que tinham na vida material, romperam relações com família, perderam um amor ou foram prejudicados no trabalho.

E de todas as soluções que buscaram sem êxito, esta casa tornou-se a última esperança. E junto com a última esperança, veio a pressa.

É nesse momento que a pressa cega, dificulta, bloqueia. É nesse momento que a pressa torna-se inimiga da compreensão.

A umbanda não tem a pretensão de curar a doença que os médicos não encontraram cura. Nem de devolver riquezas perdidas. Ou trazer de volta aquela pessoa amada.

Através da umbanda, forças espirituais atuam em conformidade com as leis da natureza, trazendo entendimento aos irmãos que sofrem, devolvendo as energias necessárias, contribuindo para o retorno do equilíbrio emocional e espiritual de cada um.

Sabiamente Deus criou a terra de forma que ela gira em torno de seu próprio eixo, e não por acaso o ditado popular diz que “o mundo dá voltas.”

Essas duas afirmações referem-se a um importante fator muito esquecido por nós quando precisamos que algo nos aconteça. O tempo. E é dentro desse tempo que um trabalho espiritual atua.

Essa é a compreensão que todos vocês devem ter ao buscarem conforto numa casa de umbanda.

Pode-se dizer que a consulta com uma entidade representa 50% do caminho a percorrer. Outros 50% são de responsabilidade do consulente. Para que essa segunda parte tenha sequencia alguns ingredientes se fazem necessários: Fé, merecimento, entendimento e tempo.

A doença que perdura há meses sobre o corpo não será curada apenas numa noite. Assim como a perda de um amor ou a mágoa de uma briga. Os bens materiais não serão recuperados de um dia para o outro.

Mas tenham certeza, que essas virtudes mencionadas, aliadas a força de vontade podem certamente reverter um quadro enfermo e devolver a alegria de outrora.

Para isso nossas portas estão abertas. A todos aqueles que buscam a umbanda como religião ou como um pronto socorro espiritual.

Pedimos, no entanto, que quando aqui adentrarem, tragam a vossa fé e o entendimento de que o tempo é um grande juiz nesse mundo. Agindo de forma justa e bondosa conforme o esforço e merecimento de cada um de vocês.

 

Rafael Crovador - 18/11/2010